Paralisação ocorre após diversas tentativas da categoria de dialogar com o governo municipal sobre problemas estruturais que, segundo eles, se agravaram nos últimos anos

Nesta quarta-feira (20) os professores da rede municipal de Franco da Rocha decidiram deflagrar uma greve para denunciar o que classificam como um processo contínuo de sucateamento da educação pública no município. A paralisação ocorre após diversas tentativas da categoria de dialogar com o governo municipal sobre problemas estruturais que, segundo eles, se agravaram nos últimos anos.

Vale frisar que um dos elementos que tornam o cenário ainda mais sensível é o fato de a atual prefeita, Lorena Oliveira, ter atuado como professora antes de ingressar na política, como ela mesma expõe em suas redes. Para muitos educadores, essa trajetória cria uma expectativa de maior sensibilidade às demandas da categoria.

De acordo com SINDSERV (Sindicato dos Servidores Públicos e Autárquicos de Franco da Rocha. “Os profissionais da educação compreendem que não é possível discutir qualidade educacional, metas, índices e avanços na aprendizagem sem enfrentar, de forma séria, as condições concretas vividas no cotidiano escolar. Valorizar a educação também significa garantir estrutura adequada, equipes suficientes, tempo de planejamento, segurança, inclusão efetiva e condições reais para que o processo de ensino e aprendizagem aconteça com qualidade, responsabilidade e dignidade para todos”, disse.
Entre as principais queixas que motivam a greve está a falta crônica de professores, que impede o cumprimento do 1/3 da jornada destinada ao planejamento das aulas.

Os educadores afirmam que, com equipes reduzidas, são obrigados a assumir mais turmas e períodos, o que compromete tanto a qualidade do ensino quanto o bem-estar dos profissionais. Outro ponto crítico é a sobrecarga no atendimento a alunos da educação especial, decorrente da insuficiência de auxiliares educacionais. Sem profissionais suficientes para acompanhar estudantes com necessidades específicas, professores relatam dificuldades em garantir um atendimento adequado e inclusivo.

A categoria também denuncia a falta de materiais básicos, como folhas sulfite, giz e insumos considerados essenciais para o funcionamento diário das escolas. Além disso, cobram mais transparência da prefeitura e o cumprimento de compromissos relacionados à Lei do Enquadramento dos AEs.

Outras reivindicações que seguem sem resposta incluem o Prêmio Relevância, cuja regulamentação e pagamento são aguardados pelos profissionais, e o aumento real no vale-alimentação, pauta que tem sido recorrente nas assembleias sindicais, mas ainda sem posicionamento oficial.

Enquanto o impasse segue, os professores reforçam que a greve não tem como objetivo prejudicar alunos ou famílias, mas defender a educação pública de qualidade e chamar atenção da sociedade para condições que consideram insustentáveis.